Conselho debate política, sustentabilidade e autonomia

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Foto: Rodrigo Bico/Teia da Diversidade

Conselho Latino-Americano de Cultura Viva Comunitária debate política, sustentabilidade e autonomia

Representantes de 13 países da América Latina estão reunidos na Semana de Cultura Viva Comunitária, que acontece de até 7 de dezembro em SP

Sobre a relação entre os movimentos de cultura viva comunitária e os Estados

Maria Emília Iglesia, da Argentina, disse que o Conselho Latino-Americano de Cultura Viva Comunitária deve construir alianças não subordinadas com os governos nacionais, em que prevaleça o resgate do protagonismo das comunidades. Lembrou da necessidade do grupo ocupar espaços estratégicos nos Estados e da necessidade do diálogo multissetorial, que também tenha como interlocutores sindicatos, movimentos sociais e outros grupos organizados das sociedades latinas.

Para Ivan Novales, da Bolívia, fortalecer o Conselho é fundamental. “Essa é a única garantia de aprofundar os princípios básicos e a filosofia do nosso movimento. A articulação do nosso movimento precisa dialogar com povos originários e outros grupos, causas e setores da sociedade”, defendeu o boliviano.

Alexandre Santini, representante do Brasil, ressaltou que a luta pela construção de leis e de mecanismos democráticos que garantam sua aplicação e o aporte de recursos aos projetos de cultura viva comunitária deve ser um eixo estruturante da atuação do Conselho. “Precisamos avançar não apenas na construção das leis, mas também no fortalecimento do conceito e na garantia da presença da cultura viva comunitária nessas legislações”, afirmou o brasileiro.

“O Conselho precisa ser um guardião da memória e da identidade da cultura viva comunitária, dos princípios fundamentais e das certezas coletivas que construímos em La Paz”, afirmou Lula Martinez, do Peru, em referência à cidade que recebeu o I Congresso Latino-Americano de Cultura Viva Comunitária. Lula também falou sobre a importância de serem transmitidos informes sobre o que acontece em cada país e o mapeamento de boas (e más) práticas que já ocorreram no âmbito do Conselho até então.

Fortalecer as bases locais e regionais e os processos dialéticos também foi uma tarefa do Conselho colocada por Carolina Picado, da Costa Rica. Pensar a cultura em todas as dimensões da sociedade, que a noção de “público” se defina a partir do que é comunitário e a construção de uma carta de princípios da Plataforma Puente Cultura Viva Comunitária também foram necessidades colocadas pela costarriquenha. “Sobretudo, devemos refletir criticamente sobre as políticas públicas, já que elas podem institucionalizar nosso movimento”, lembrou Carolina.

Sobre a sustentabilidade financeira do Conselho

Ivan Novales, da Bolívia, disse que existem assimetrias financeiras e simbólicas muito concretas entre os países latino-americanos e, nesse sentido, falou sobre o seu receio em relação à dependência dos governos, de outras organizações e até mesmo do Brasil. “O país acabou assumindo uma certa liderança, por felizmente ter um contexto favorável ao desenvolvimento do Conselho, mas é preciso que outros países também equilibrem a nossa atuação”, explicou o boliviano. Buscar fundos de cooperação internacional para a sustentabilidade financeira do Conselho foi a sugestão colocada por Florência Rivieri, da Argentina.

Sobre a relação entre o Conselho e os processos orgânicos e contextos políticos nacionais

Para Maria Emília Iglesia, o Conselho deve ajudar a potencializar as políticas regionais e municipais em cada Estado. “Também precisamos definir nossa postura frente à militarização que acontece em alguns países e protagonizar ações que defendam o movimento de ‘menos armas, mais artistas’”, defendeu a argentina.

“O movimento da cultura viva comunitária está refundando a forma de fazer política”, disse Lula Martinez, do Peru. Ela acredita que o Conselho deve acompanhar em congressos e encontros nacionais respeitando a soberania de cada Estado.

“A relação com o Estado é inerente ao movimento da cultura viva comunitária. Que seja então uma relação propositiva de leis, políticas públicas e ações nacionais, regionais e municipais em favor da cultura viva comunitária”, colocou Patrícia Requena, do Chile.

As relações de poder em meio à diversidade de sujeitos em níveis nacionais e continental

Vincular povos originários e campesinos ao movimento da cultura viva comunitária é essencial, segundo Carolina Picado e Maria Emília Iglesia. Já Lula Martinez falou sobre como o Conselho pode ajudar a fortalecer a cultura viva comunitária, facilitando encontros entre esse movimento e legisladores e outros atores relevantes. “Lembrando que não temos um papel de mediadores, porque cada país deve ter autonomia para resolver seus próprios conflitos e questões internas dos movimentos de cultura viva comunitária”, explicou.

Semana de Cultura Viva Comunitária

De 2 a 7 de dezembro, representantes de organizações e redes culturais comunitárias de 17 países da América Latina se encontram em São Paulo e em outros territórios do estado para participar de atividades de intercâmbio, formação e reflexão sobre políticas públicas, economia social e outros temas fundamentais do campo da cultura na América Latina. Acompanhe a cobertura da Semana em bit.ly/SemanaCulturaVivaComunitaria.

Comunicação #SemanaCulturaVivaComunitária