Governo e sociedade celebram a Semana

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Foto: Fora do Eixo

Celebração de abertura do encontro tem manifestações culturais e discursos comemorativos dos 10 anos do Programa Cultura Viva e da sua integração latino-americana

No ano em que o Cultura Viva completa 10 anos, representantes de organizações e redes culturais comunitárias de 17 países da América Latina, de povos originários da África e das Américas, griôs, mestres da tradição oral, coletivos periféricos e Pontos de Cultura brasileiros se encontram em São Paulo para celebrar o Programa e sua integração latino-americana. Nesta quinta-feira (4), a Fundação Nacional de Artes (Funarte) da capital paulista sediou os festejos de abertura da Semana de Cultura Viva Comunitária, que acontece de 2 a 7 de dezembro, com a presença de representantes do governo e da sociedade civil.

Com os tambores, cantos e bênçãos dos mestres Aderbal Ashogun Moreira e Mãe Lúcia, acompanhados de representantes de povos de terreiros, a celebrações de abertura da Semana de Cultura Viva comunitária tiveram início. Marcelo Araújo, Secretário de Cultura do Estado de São Paulo, ressaltou que a realização do Encontro “é a prova que o empoderamento dos ponteiros com o apoio do poder público é o melhor caminho para o desenvolvimento da cultura comunitária”.

Lei Cultura Viva

Já a deputada federal Jandira Feghali (PC do B/RJ) falou sobre a aprovação da Lei Cultura Viva (Lei n° 13.018, de 22 de julho de 2014), que transformou o Programa numa política de Estado e encontra-se em fase de regulamentação. Segundo a parlamentar, o Projeto de Lei foi construído a muitas mãos teve como principais objetivos promover o reconhecimento do Cultura Viva por parte do Estado, constituir uma referencia legal que possa ser adaptada às esferas regionais e municipais e desburocratizar os trâmites de conveniamento dos Pontos de Cultura. “Até então, existia uma visão puramente legalista e distanciada da realidade nesses processos”, lembrou a deputada.

Ao comentar a aprovação da Lei Cultura Viva, Valério Benfica, Representante Regional do Ministério da Cultura em São Paulo, ressaltou os avanços que esse instrumento trará aos processos de conveniamento e gestão dos Pontos de Cultura. “Vamos trabalhar com a noção de compromisso cultural, e não mais de contrato”, destacou o gestor, que se mostrou otimista em relação à continuidade do Programa: “Em 2015, vamos começar com o Cultura Viva no lugar onde ele deveria estar há muito tempo”.

Representando Juca Ferreira, Guilherme Varella, Chefe de Gabinete da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, lembrou que recentemente a cidade conseguiu criar sua rede municipal de Pontos de Cultura, que já conta com 220 projetos credenciados. Segundo Varella, a meta é chegar a 300 Pontos até 2016 e em fevereiro de 2015 será lançado o primeiro edital municipal para Pontões. “Trabalhamos com as dimensões simbólica, cidadã e econômica para trabalhar nossas políticas e ações. Mas em São Paulo é fundamental considerar uma quarta dimensão, a territorial”, lembrou o representante do município paulista.

Cesar Pineda, Diretor Nacional de Casas de Cultura Viva Comunitária de El Salvador, relatou o momento privilegiado que a cultura vive no seu país: “Incluir a temática cultural nas políticas e prioridades governamentais é o que tentamos fazer desde os anos 70 e, pela primeira vez, com a eleição do novo presidente, estamos conseguindo fazer isso”. O salvadorenho acredita que a atual gestão do Governo de El Salvador, país que sediará o II Congresso Latino-Americano de Cultura Viva Comunitária em outubro de 2015, já elenca a cultura como tema transversal.

Encerrando o primeiro momento da celebração de abertura da Semana de Cultura Viva Comunitária, Célio Turino fez um relato emocionado sobre a articulação que vem promovendo entre os Pontos de Cultura da América Latina desde 2011. E concluiu: “No futuro, o povo manda e o governo obedece; tem que mandar obedecendo e ouvir o povo acima de tudo. Isso é Cultura Viva”.

Tambores, cortejo, canto e dança para celebrar

Os parabéns aos 10 anos do Programa Cultura Viva vieram pela canção América, interpretada pelos Mestres TC (Casa de Cultura Tainã), Lumumba (Ponto de Cultura e Memória Ibaô) e Nádia Acauã (Tribo tupinambá), e também pelo duo TC (voz) e Cleberson Abade (Casa de Cultura Tainã – piano). TC destacou que a luta do movimento negro foi potencializada pelo Programa, e o mestre de cerimônia Alexandre Santini lembrou que a Cultura Viva também tem sua ancestralidade: “Começou há 500 anos, quando é iniciada no Brasil a luta pelo reconhecimento dos nossos povos originários”.

Um cortejo do Ilú Obá de Min e a apresentação do Coral Guarani, formado por crianças de até 10 anos da etnia indígena, também fizeram parte das comemorações de abertura da Semana de Cultura Viva Comunitária. Após a performance do bloco de mulheres, Neide Abati, Fundadora da União Popular de Mulheres, falou sobre a importância das lutas dos Pontos de Cultura que transcendem suas próprias vocações. “Estou certa de que uma sociedade justa e igualitária é o nosso maior objetivo de vida”, declarou a educadora.

Comunicação #SemanaCulturaVivaComunitária